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As ações Embraer refletem o desempenho de uma das principais empresas aeroespaciais do mundo, a Embraer, que atua globalmente na fabricação de aeronaves comerciais, executivas e militares.
Seu modelo de negócios combina vendas de alto valor com receita recorrente em serviços e suporte, garantindo previsibilidade mesmo em um setor cíclico.
Nos últimos anos, a companhia ganhou destaque pelo crescimento do backlog e pela expansão internacional, mas suas ações seguem sensíveis a expectativas de mercado, margens e fatores externos.
Neste artigo, vamos analisar a cotação das ações da Embraer (EMBJ3), os motivos da queda recente, dividendos, histórico e perspectivas para o papel.
Mesmo com receita recorde de R$ 41,9 bilhões, a combinação de margens ainda comprimidas e custos extras como tarifas pressionou a leitura de curto prazo
A Embraer é uma empresa aeroespacial brasileira fundada em 1969 em São José dos Campos, no estado de São Paulo.
Ao longo de mais de cinco décadas, a Embraer se transformou na terceira maior fabricante de aeronaves do mundo, atrás apenas de Boeing e Airbus.
Hoje, a empresa conta com mais de 21 mil funcionários, já entregou mais de 9.000 aeronaves e tem presença em clientes de todos os continentes. As ações da Embraer são negociadas na B3 sob o ticker EMBJ3 e nos mercados internacionais sob o ticker ERJ na NYSE.
O modelo de negócios da Embraer é baseado no desenvolvimento, fabricação e venda de aeronaves para três mercados principais:
A receita das ações da Embraer é distribuída em quatro pilares, cada um com dinâmica distinta:
O backlog da Embraer é um dos indicadores mais importantes para quem analisa as ações EMBJ3. Encerrou 2025 em US$ 31,6 bilhões, um recorde histórico da empresa e crescimento superior a 20% em relação ao ano anterior.
O backlog da Aviação Comercial avançou 42% nas plataformas E175 e E2, refletindo demanda sólida por aeronaves regionais.
Esse volume de pedidos firmes garante previsibilidade de receita para vários anos à frente e é um argumento central para qualquer análise das ações da Embraer no longo prazo.
Nota: Para quem estava acostumado com o ticket EMBJ3 na Bolsa, houve uma mudança em 3 de novembro de 2025 para EMBJ3, por isso o possível estranhamento.
A cotação das ações da Embraer (EMBJ3) está em torno de R$ 83 em abril de 2026, após o papel ter iniciado o ano na faixa de R$ 89 e alcançado a máxima em R$ 106 no final de janeiro.
Gráfico com a evolução das ações da EMBJ3 em 2026 - Fonte: TradingView
A faixa de 52 semanas das ações da Embraer vai de R$ 59,61 (mínima) a R$ 106 (máxima). A máxima histórica do papel foi registrada em 23 de janeiro de 2026, em R$ 106,00, impulsionada pelo entusiasmo com os recordes operacionais da empresa.
Gráfico com a evolução das ações da EMBJ3 no último ano - Fonte: TradingView
A queda subsequente para a faixa de R$ 80 a R$ 85 reflete principalmente o ajuste após guidance conservador para 2026 e o impacto das tarifas de importação americanas nas margens.
As ações da Embraer (EMBJ3) são um dos papéis mais líquidos da B3 e integram o Ibovespa, o principal índice da bolsa brasileira. O valor de mercado da empresa está em torno de R$ 61,1 bilhões, com interesse institucional nacional e internacional relevante. A liquidez diária é elevada, tornando as ações EMBJ3 adequadas para diferentes perfis de investidor, do varejo ao institucional.
Apesar de a Embraer ter entregado receita recorde em 2025, o mercado puniu as ações EMBJ3 com queda de 8,05% no dia do resultado do 4T25, em 6 de março de 2026. O motivo central foi o guidance para 2026.
A empresa projetou receita de US$ 8,2 a US$ 8,5 bilhões, abaixo dos US$ 8,9 bilhões estimados pelo Itaú BBA, e margem EBIT de 8,7% a 9,3%, também aquém das expectativas de alguns analistas.
O lucro ajustado de R$ 832 milhões no 4T25 representou queda de 20,4% em relação ao mesmo período de 2024, o que reforçou a leitura negativa de curto prazo por parte do mercado.
As ações da Embraer também foram afetadas por pressões de custo recorrentes. A empresa enfrenta gargalos na cadeia de suprimentos global, com custos logísticos mais altos e dificuldades no fornecimento de peças e componentes já a algum tempo.
As tarifas de importação americanas de 10%, vigentes após 2025, adicionaram cerca de US$ 50 milhões em custos ao resultado anual da empresa. Sem esse impacto, a margem EBIT de 2026 seria 75 a 100 pontos-base superior ao guidance divulgado.
As ações da Embraer negociam com P/L de aproximadamente 30x, significativamente acima da média histórica da empresa, que é de 2,79x.
Gráfico do PL da EMBJ3 mostrando a média da empresa e o momento atual - Fonte: Investidor10
Esse múltiplo elevado reflete as expectativas de crescimento de receita e melhora de margens nos próximos anos.
Já a margem EBITDA está em 11,38% e a margem EBIT em torno de 8%, ainda longe dos dois dígitos que a empresa almeja.
Em relação às concorrentes globais, a Embraer ocupa uma posição única. Boeing e Airbus operam no segmento de jatos wide-body e narrowbody de maior porte, onde a Embraer não compete diretamente.
No segmento regional abaixo de 150 assentos, a Embraer é líder global após a saída da Bombardier do segmento de jatos comerciais com a venda da linha CRJ para a Mitsubishi.
Isso dá às ações da Embraer uma vantagem competitiva estrutural difícil de contestar no curto e médio prazo.
As ações da Embraer não são conhecidas pelo pagamento de dividendos. O dividend yield das ações EMBJ3 está em apenas 0,34% nos últimos 12 meses, com proventos esporádicos e de baixo valor.
Gráfico com a média de Dividend Yield da EMBJ3 - Fonte: Investidor10
Para 2026, a data com para pagamentos de JSCP (Juros sobre Capital Próprio) está prevista para 11 de maio, com três pagamentos de R$ 0,09, R$ 0,20 e R$ 0,19.
A razão é estrutural. A Embraer é uma empresa em ciclo de crescimento e expansão contínua de capacidade produtiva, P&D e diversificação de segmentos.
O capital que poderia ser distribuído como dividendo é reinvestido em novos programas como o C-390 Millennium, em expansão de defesa, na parceria com a Eve (aviação elétrica de decolagem vertical) e em aumento da capacidade de entregas.
Empresas aeroespaciais globalmente tendem a operar com baixo ou nulo payout enquanto estão neste ciclo.
O backlog é o principal motor das ações da Embraer. Cada anúncio relevante de pedidos firmes, especialmente nas plataformas E2 e E175, movimenta o papel de forma expressiva.
O book-to-bill de 2,8x em 2025 na Aviação Comercial foi um dos argumentos mais citados por analistas que recomendam a compra das ações EMBJ3.
As ações da Embraer têm forte sensibilidade cambial. A empresa fatura em dólares e reporta resultados em reais, o que significa que a depreciação do real aumenta a receita convertida.
O dólar mais alto beneficia diretamente as margens quando há descasamento entre o momento da venda (em dólar) e o custo de produção (parcialmente em real).
Ou seja, qualquer movimento relevante do câmbio é imediatamente refletido nas ações EMBJ3.
Parcerias estratégicas da Embraer têm impacto imediato no preço das ações. A cooperação com a Mahindra pode resultar em pedidos de 40 a 80 aeronaves militares para a Índia.
A Eve, subsidiária de mobilidade aérea urbana da Embraer, tem potencial de destravar valor adicional nas ações EMBJ3 conforme se aproxima da fase de testes de voo.
As ações da Embraer são indicadas para o investidor de crescimento com horizonte de médio a longo prazo, que acredita na expansão contínua da aviação regional global, na diversificação do portfólio de defesa e na melhora gradual de margens.
Não é um papel para quem precisa de renda via dividendos, pois o yield da EMBJ3 é praticamente simbólico.
A tolerância à volatilidade também é necessária, dado que as ações da Embraer reagem fortemente a notícias operacionais, dados de backlog e variações cambiais.
No contexto do setor industrial e de exportação da B3, as ações da Embraer competem pelo espaço na carteira com papéis como WEG (WEGE3) e Marcopolo (POMO4).
A WEG oferece crescimento mais consistente e maior previsibilidade de margens, mas negocia com múltiplos ainda mais elevados.
A Embraer tem maior volatilidade e dependência de ciclos mais longos, mas oferece exposição a um nicho global sem substituto equivalente na Bolsa brasileira.
A tese estrutural das ações da Embraer está na expansão da aviação regional global, especialmente em mercados emergentes da Ásia, África e América Latina, onde rotas de médio alcance ainda estão em desenvolvimento.
A família E2 é um dos produtos mais eficientes em consumo de combustível do mundo e está bem posicionada para capturar essa demanda.
A expectativa da empresa é elevar as entregas para até 100 aeronaves comerciais entre 2027 e 2028.
O segmento de Defesa & Segurança da Embraer está em franca expansão, com o C-390 Millennium ganhando contratos em Portugal, Hungria, República Checa e outros países da NATO.
A parceria com a Mahindra para o mercado indiano representa um potencial de 40 a 80 aeronaves militares.
Essa diversificação reduz a dependência da aviação comercial e cria um vetor de crescimento complementar para as ações EMBJ3 nos próximos anos.
No longo prazo, as ações da Embraer têm três vetores principais de valorização:
As ações Embraer mostram como resultados fortes nem sempre sustentam o preço quando as expectativas decepcionam. Mesmo com receita de R$ 41,9 bilhões, backlog recorde de US$ 31,6 bilhões e caixa sólido, o guidance conservador e tarifas pressionaram EMBJ3 no curto prazo.
No cenário otimista, a empresa amplia entregas, melhora margens e avança em defesa e na Eve. No conservador, custos e demanda limitam o desempenho. Para o investidor de médio prazo, o descompasso entre preço atual e backlog pode abrir espaço para entrada gradual.
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As ações da Embraer caíram principalmente porque o guidance de 2026, divulgado junto ao resultado do 4T25, ficou abaixo das expectativas do mercado e também devido ao impacto das tarifas americanas nas margens.
As ações EMBJ3 pagam dividendos de forma muito irregular e com valor mínimo. O dividend yield atual é de apenas 0,34%, tornando a EMBJ3 uma ação de crescimento, não de renda.
A média do preço-alvo é de R$ 91,85 para as ações EMBJ3 até o fim de 2026. No cenário otimista, as ações tem previsão de R$ 103,91 e no cenário pessimista, R$ 82,9
O backlog das ações da Embraer é a carteira de pedidos firmes, que atingiu US$ 31,6 bilhões ao fim de 2025, equivalente a quase quatro anos de receita. Um backlog crescente sinaliza demanda sólida e garante previsibilidade de receita futura, sendo o principal driver de valorização das ações EMBJ3 no longo prazo.
Sim. A Embraer é a única fabricante de grande porte com foco em jatos regionais abaixo de 150 assentos após a saída da Bombardier do segmento.
O maior risco das ações da Embraer é a combinação de margens ainda abaixo de dois dígitos com um P/L elevado de cerca de 30x, que deixa pouco espaço para decepções operacionais. As tarifas americanas, atrasos na cadeia de suprimentos e dependência da saúde financeira das companhias aéreas clientes são riscos secundários.
Lucas Coca
Redator Técnico Financeiro
Lucas Coca é redator técnico financeiro na XS.com, com mais de quatro anos de experiência na produção de conteúdo especializado e autoritativo para plataformas financeiras digitais. Seu trabalho é focado em pesquisa aprofundada de mercado e análise financeira, traduzindo conceitos complexos de trading, investimentos e fintech em conteúdo claro e prático.
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