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Essa lição irá te ensinar sobre a importância da alocação de ativos, ajudando a entender porque uma única decisão molda seus resultados mais do que qualquer investimento individual de sua escolha.
A alocação de ativos é a decisão chave que deve ser feita para dividir seu dinheiro entre as classes de ativos. É a arte de entender quanto do seu portfólio vai para ações, quando vai para títulos, e o tamanho da parcela alocada para commodities e criptomoedas.
No início pode soar menos importante, menos empolgante que escolher uma ação em alta e uma commodity vencedora, mas não é; é a decisão mais importante a ser feita.
Dois investidores podem comprar fundos completamente diferentes e ainda assim obter resultados semelhantes.
Se suas alocações coincidirem, pois é a combinação de classes de ativos que determina o comportamento de um portfólio ao longo de anos bons e ruins.
Por décadas, a receita mais famosa foi a do portfólio 60/40. Coloque 60% em ações para crescimento e 40% em títulos para estabilidade, e deixe que os dois se equilibrem.
Essa matemática existe porque, em teoria:
As ações impulsionam o portfólio para cima com o tempo,
Os títulos absorvem as quedas,
É algo barato de construir e funciona bem para várias gerações de investidores.
Mas tem um ponto fraco que a inflação pesada expôs. Na inflação de 2022, as ações e os títulos caíram juntos, e caíram pesadamente, arrasando por portfólios e carteiras.
O S&P 500 perdeu cerca de 18% ao longo do ano, e o Bloomberg US Aggregate, principal índice de títulos, perdeu 13%, seu pior resultado já registrado.
Um portfólio 60/40 terminou o ano com uma perda de cerca de 17,5%, a pior desde 1937. Também foi a primeira vez desde 1969 que tanto ações quanto títulos fecharam no negativo.
As ações não impulsionaram o portfólio e os títulos falharam em absorver o choque exatamente quando foi necessário.
Isso ocorre porque a combinação de ações e títulos não tem o poder de se defender contra a alta dos preços; o problema foi a falta de diversificação, como já explicamos anteriormente.
Entenda que a razão 60/40 não está errada, mas incompleta. Ela não possui nada que proteja contra a inflação e nada com potencial independente de crescimento, que é de onde a próxima ideia vem.
Core-satellite é uma estratégia, a maneira moderna de organizar um portfólio, proporcionando retornos consistentes e compatíveis com o mercado.
Esta estratégia oferece formas de superar o desempenho do mercado em geral, reduzindo o risco e o custo globais.
O nome explica um pouco sobre o conceito:
O core é o núcleo estável. ETFs abrangentes de ações e títulos concentram a maior parte do seu capital, realizando o trabalho pesado de forma silenciosa e econômica.
Os satélites são pequenas fatias orbitando o núcleo. Commodities para proteger contra a inflação e criptomoedas para um potencial de crescimento independente. Esses ativos adicionam qualidades e proteções que o núcleo não possui.
Nesta estratégia, o núcleo mantém o portfólio estável e econômico, enquanto que os satélites se mantêm pequenos o suficiente para que mesmo um ano ruim para um deles não seja uma catástrofe.
Três investidores com estilos bem diferentes publicaram exatamente como eles dividiram um portfólio.
Os números deles abrangem toda a gama, do conservador ao agressivo, e cada um explica o raciocínio por trás da divisão.
Ray Dalio fundou a Bridgewater Associates, o maior fundo de hedge do mundo, e concebeu o que ele chama de "All Weather Portfolio" (Portfólio para todas as estações) para sobreviver a qualquer cenário econômico.
30% em ações
55% em títulos públicos, divididos entre longo e médio prazo
7.5% em ouro
7.5% em commodities
A parcela grande de títulos se dá porque as ações oscilam cerca de três vezes mais do que dos títulos de renda fixa, então essa divisão é o que mantém o risco balanceado.
David Swensen administrou o fundo de doações da Universidade Yale por mais de trinta anos. Em seu livro Unconventional Success, ele apresentou uma versão voltada para investidores comuns, utilizando apenas fundos de índice de baixo custo.
30% em ações dos EUA
15% em ações de mercados desenvolvidos internacionais
5% em ações de mercados emergentes
20% em imóveis
15% em títulos do Tesouro
15% títulos protegidos contra a inflação
Sua regra não possui uma única classe de ativo que ultrapasse 30% do total.
Em sua carta de 2013 aos acionistas da Berkshire Hathaway, Warren Buffett descreveu as instruções que ele deixou para o dinheiro que sua esposa herdaria.
90% em um fundo de índice do S&P 500 de baixo custo
10% em títulos públicos de curto prazo
É a mais simples de todas as alocações e a mais agressiva. Buffett escreveu sobre uma situação específica: uma herança a longo prazo cujo dinheiro não seria tocado em breve.
Nenhuma das três estratégias inclui criptomoedas. Duas delas foram escritas antes mesmo que fosse possível investir em criptomoedas, e é por isso que o teto de 1% a 2% mencionado nesta aula provém, na verdade, de uma pesquisa da BlackRock.
A alocação de ativos, que é uma divisão entre classes, molda mais seus resultados que escolhas individuais.
A clássica regra 60/40 funcionou por décadas, mas falhou em períodos de alta inflação como em 2022, quando as ações e os títulos caíram juntos sem nada que os defendesse da inflação.
A estratégia Core-satellite resolve essa falha, com ETFs de ações e títulos no núcleo e pequenos satélites de commodities e criptomoedas adaptados ao seu perfil.
Na próxima lição, você pegará sua coluna da tabela e a desenvolverá passo a passo, desde a definição do seu objetivo até um portfólio finalizado.
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